A demanda global total por alimentos aumentará entre 35 e 56% até 2050 (Van Dijk et al., 2021). A China, um dos principais importadores de produtos agrícolas brasileiros, busca alcançar o pico de carbono até 2030 e a neutralidade de carbono até 2060 (Li; Li, 2022). Isso mostra que um dos principais desafios da agricultura moderna é atender à crescente demanda por alimentos com o menor impacto ambiental, sendo lucrativa ao produtor.
Grandes aumentos de produtividade não podem ser alcançados sem garantir que as plantas tenham nutrição adequada e equilibrada (Viecelli et al., 2017). Os solos são a principal fonte de nutrientes essenciais para o crescimento e desenvolvimento das plantas. A forma como esses nutrientes são manejados influencia diretamente a produtividade das culturas, a fertilidade do solo e a sustentabilidade dos sistemas agrícolas.
As plantas precisam de diversos nutrientes para crescer, que são divididos em macronutrientes e micronutrientes, de acordo com a quantidade exigida. Os macronutrientes são necessários em maiores quantidades e incluem carbono (C), hidrogênio (H), oxigênio (O), nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S). C, H e O compõem cerca de 95% da matéria seca das plantas. Os demais são classificados como macronutrientes primários (N, P e K), frequentemente aplicados em fertilizantes comerciais, e macronutrientes secundários (Ca, Mg e S). Os micronutrientes, que podem ser divididos entre catiônicos (como ferro, manganês, zinco, cobre e níquel) e aniônicos (como boro, molibdênio e cloro), são requeridos em quantidades ainda menores. Porém, a ausência de qualquer um dos nutrientes, seja macro ou micro, pode comprometer o crescimento, desenvolvimento e produtividade da planta.
Um exemplo é apresentado na Tabela 1 para a cultura do milho. O requerimento representa a quantidade do nutriente (em kg ou g) necessária para a cultura completar seu ciclo de desenvolvimento e produzir 1 tonelada de grãos. Já a remoção indica o quanto do nutriente é extraído da lavoura a cada tonelada de grãos colhida da lavoura.
Tabela 1. Requerimentos e remoção de nutrientes em grãos de milho. Adaptada de: Andrade et al. (2023).
| Nutriente | Requerimento (kg/t) | Remoção nos grãos (kg/t) |
| Nitrogênio | 16.9–23.8 | 9.1–13.8 |
| Fósforo | 2.7–4.5 | 2.3–3.7 |
| Potássio | 14.0–20.4 | 3.5–4.9 |
| Cálcio | 2.9 | 0.1 |
| Magnésio | 3.4–4.9 | 1.4–1.5 |
| Enxofre | 1.7–2.2 | 1.0–1.3 |
| Boro (g/t) | 6.9 | 1.6 |
| Cobre (g/t) | 8.0–11.8 | 3.4–2.6 |
| Ferro (g/t) | 114.7–193.4 | 20.7–32.0 |
| Manganês (g/t) | 45.2–49.6 | 6.0–6.8 |
| Zinco (g/t) | 41.5–54.6 | 25.7–28.5 |
A adubação é essencial para suprir as demandas nutricionais da planta, especialmente quando o solo não é capaz de fornecer os nutrientes em quantidade e tempo adequados. Ela visa garantir colheitas mais produtivas e de melhor qualidade (Faquin, 2005). Conhecer a mobilidade dos nutrientes no interior da planta auxilia na compreensão dos sintomas de deficiência. Nutrientes altamente móveis, como nitrogênio (N), potássio (K) e sódio (Na), tendem a ser remobilizados para as partes mais jovens da planta, fazendo com que os sintomas de deficiência surjam primeiro nas folhas mais velhas. Nutrientes com mobilidade intermediária, como fósforo (P), cloro (Cl) e magnésio (Mg), também podem ser redistribuídos, mas em menor grau. O mesmo ocorre para os parcialmente móveis (como S, Zn, Cu, Mn, Fe e Mo). Nutrientes imóveis (como B e Ca) manifestam sintomas nas folhas novas, especialmente nos ponteiros.
No entanto, a identificação de deficiências nutricionais no campo, com base apenas em sintomas visuais, é um desafio. Isso porque diversos fatores, como clima, estágio de desenvolvimento da planta, espécie ou variedade cultivada, podem alterar a aparência dos sintomas. Por isso, é fundamental utilizar outras ferramentas complementares, como análises de solo e de tecido vegetal, para confirmar suspeitas. Apesar dessas limitações, existem esquemas ilustrativos amplamente utilizados que auxiliam na identificação preliminar de deficiências nutricionais, como o apresentado na Figura 1.

Figura 1. Esquema de observação de deficiência de alguns macros e micronutrientes nas plantas.
Além da importância da nutrição adequada em quantidade e momento adequado, vale destacar a Lei do Mínimo ou Lei de Liebig, que afirma que o crescimento das plantas é limitado pelo nutriente que está em menor disponibilidade, mesmo que todos os outros estejam em níveis adequados. Assim, quando uma planta apresenta deficiência nutricional, mesmo que receba quantidades suficientes de outros nutrientes, seu desenvolvimento será prejudicado. Além disso, Muzzalani et al. (2024) demonstram que o limitado aprofundamento das raízes, causado, entre outros fatores, pela alta concentração de íon tóxico Al 3+ e baixa concentração de nutrientes em camadas mais profundas do solo, levam a perdas de produtividade, principalmente em períodos de déficit hídrico.
Por essas razões, é fundamental garantir uma nutrição equilibrada, de forma que todos os macros e micronutrientes estejam disponíveis para as plantas em quantidades e no momento adequado do ciclo. O manejo nutricional deve considerar análises de solo e tecido vegetal, bem como a expectativa de produtividade, para evitar tanto deficiências quanto excessos, buscando a máxima eficiência produtiva e sustentabilidade.
Nesse contexto, fertilizantes organominerais oferecidos pela ILSA como a linha Gradual MIX, que utilizam a matriz AZOGEL® (fonte natural aminoácidos) associada a fertilizantes minerais, atuam de forma complexante para disponibilizar mais nutrientes para as plantas. Este efeito se dá pela conhecida função dos aminoácidos em agir como agentes complexantes de nutrientes, disponibilizando mais nutrientes para as plantas, garantindo maior equilíbrio nutricional. Produtos como Etixamin MEGA, um organomineral formulado em pó hidrossolúvel, fonte natural de aminoácidos de rápida absorção, composto de nitrogênio, boro, zinco, manganês, fósforo, potássio, molibdênio, enxofre, cobre e magnésio, podem evitar carências e deficiências nutricionais, suprindo a demanda de macros e micros em períodos críticos para as culturas. Além disso, essa linha conta com o efeito complexante dos aminoácidos, provenientes do GELAMIN (proteínas hidrolisadas enzimaticamente), sobre os nutrientes. Não basta haver nutrientes no solo, é essencial que estejam disponíveis para as plantas.
Referências bibliográficas
ANDRADE, F. H. et al. Ecofisiología y manejo del cultivo de maíz. Balcarce: MAIZAR, 2023. 486 p.
FAQUIN, V. Nutrição Mineral de Plantas. Lavras: UFLA / FAEPE, 2005. 186 p.
LI, Z.; LI, J. The influence mechanism and spatial effect of carbon emission intensity in the agricultural sustainable supply: evidence from china’s grain production. Environmental Science and Pollution Research, v. 29, n. 29, p. 44442–44460, 2022.
MULAZZANI, R. P. et al. Chemical constraints are the major limiting factor of root deepening in southern Brazil soils. Geoderma Regional, v. 38, 2024.
VAN DIJK, M. et al. A meta-analysis of projected global food demand and population at risk of hunger for the period 2010–2050. Nature Food, v. 2, n. 7, p. 494–501, 2021.
VIECELLI, C. A. et al. Guia de deficiências nutricionais em plantas. Toledo, Paraná: PUCPR Câmpus Toledo. ASSOESTE, 2017. 112 p.
Autores
Eng. Agr. Msc. Isabela Bulegon Pilecco
Eng. Agr. Msc. Thiago Stella de Freitas
Eng. Agr. Tuíra Barcellos

