A nutrição adequada das plantas é um dos principais fatores para altas produtividades das lavouras, uma vez que A reposição equilibrada de nutrientes é essencial para manter a capacidade fisiológicas das plantas (Saldanha et al., 2016). No entanto, em alguns estágios de desenvolvimento ou sob determinadas condições do solo, a absorção radicular pode ser limitada. Um exemplo é o uso de fósforo em solos ácidos, onde boa parte do fósforo aplicado fica indisponível para as plantas (Pavinato et al., 2020).
Nessas situações, a aplicação foliar de nutrientes é uma alternativa complementar. A adubação foliar se baseia na capacidade que as folhas, embora especializadas em fotossíntese, de absorver água e nutrientes (Saldanha et al., 2016). Essa técnica permite o fornecimento direcionado de macro e, principalmente, micronutrientes. Por isso, é utilizada em diversas culturas para corrigir deficiências pontuais e em órgãos específicos, como o caso do fornecimento direto de cálcio (imóvel no corpo da planta) aos frutos na maçã e tomate (Saldanha et al., 2016). Também se destaca pela melhoria da eficiência e aproveitamento dos fertilizantes, viabilização das aplicações em estágios mais avançados do ciclo e favorecer o crescimento e desenvolvimento da planta.
Porém, a eficiência da adubação foliar depende de uma série de fatores internos e externos que afetam a absorção e translocação dos nutrientes nas plantas (Faquin, 2005). A absorção foliar é obrigatoriamente via cutícula (Saldanha et al., 2016). Embora se pensasse que a cutícula era uma camada contínua e impermeável, hoje se sabe que ela apresenta microcanais e descontinuidades que permitem a passagem de solutos. A espessura da cutícula, a presença de estômatos, tricomas e a própria hidratação da folha influenciam diretamente a absorção.
Folhas jovens, por apresentarem cutículas mais delgadas e maior atividade metabólica, tendem a absorver melhor os nutrientes do que folhas mais velhas. Além disso, a face inferior das folhas (abaxial), geralmente mais rica em estômatos e com menor deposição de cera, costuma ser mais eficiente na absorção. Assim, destaca-se a importância de uma pulverização uniforme no momento da aplicação dos fertilizantes foliares, visando atingir ambos os lados da folha (Faquin, 2005).
As condições ambientais no momento da aplicação também são fundamentais. A umidade relativa do ar e a temperatura influenciam o tempo de secagem da calda na superfície foliar. Altas temperaturas e baixa umidade promovem rápida evaporação da solução, dificultando a formação de uma película líquida necessária para a absorção. Por isso, as aplicações devem ser preferencialmente realizadas nas primeiras horas da manhã ou ao final da tarde, quando as folhas estão hidratadas e os estômatos abertos (Faquin, 2005). A presença de luz também é um fator importante, pois estimula a abertura estomática e ativa processos metabólicos que fornecem energia para o transporte ativo dos nutrientes.
Outro ponto importante refere-se à mobilidade dos nutrientes no floema. Elementos como nitrogênio, fósforo e potássio são considerados móveis e, portanto, são redistribuídos com facilidade para outras partes da planta após a absorção (Faquin, 2005). Já nutrientes como cálcio e boro, de baixa mobilidade, permanecem no local da aplicação, o que exige pulverizações frequentes e bem direcionadas nos tecidos alvo.
A composição da solução aplicada também interfere na eficiência. A forma química do nutriente pode aumentar ou diminuir sua taxa de absorção. A ureia, por exemplo, apresenta alta velocidade de penetração foliar e ainda promove o aumento da permeabilidade cuticular, o que favorece a absorção de outros íons presentes na solução. Isso ocorre porque a ureia é capaz de romper ligações químicas entre os componentes da cutícula das folhas (Saldanha et al., 2016). No entanto, em concentrações elevadas pode provocar fitotoxidez.
O uso de aminoácidos com efeito complexante junto aos minerais, pode promover maior penetração na membrana e absorção mais rápida, em comparação aos íons livres, aumentando a eficiência da adubação foliar (Lambais, 2011; Marques, 2014). Esse é o caso do ILSAMIN Agile, composto exclusivamente por aminoácidos provenientes da matriz orgânica GELAMIN, uma fonte natural de aminoácidos de rápida absorção. Outras soluções desenvolvidas pela ILSA, combinam os aminoácidos do GELAMIN, com fontes minerais de macro e micronutrientes. Um exemplo é o ETIXAMIN MEGA, um fertilizante organomineral, que além dos aminoácidos provenientes do GELAMIN, conta com nitrogênio, boro, zinco, manganês, fósforo, potássio, molibdênio, enxofre, cobre e magnésio, favorecendo a absorção destes.
Quanto à época de aplicação, em geral, a adubação foliar é feita nos períodos de maior exigência da cultura, quando, geralmente, aparecem os sintomas de deficiência. No entanto, essa forma de adubação também é usada para nitrogênio em mudas de cafeeiro e para boro e molibdênio em mudas nas sementeiras de hortaliças, por exemplo. O ETIXAMIN KALLY é um organomineral exclusivo da ILSA formulado como pó hidrossolúvel, que contém proteínas hidrolisadas enzimaticamente (fonte natural de N orgânico e aminoácidos de rápida absorção), juntamente com nitrogênio, potássio e enxofre de origem mineral. Na cultura da soja, o potássio (K) e enxofre (S) são absorvidos de forma significativa até estágios próximos ao R5.5 (EMBRAPA, 2025). Portanto, essa fase ainda representa um momento estratégico para corrigir eventuais deficiências desses nutrientes, garantindo seu aproveitamento pela planta antes do encerramento da absorção relevante.
Além dos efeitos diretos sobre o crescimento vegetal, estudos mostram que a adubação foliar pode aumentar a eficiência de fungicidas, reduzir a severidade de doenças e contribuir para maior produtividade. Em trigo, por exemplo, observou-se sinergismo entre fertilizantes foliares e defensivos, com impacto positivo na produtividade (Marques, 2014). Plantas bem nutridas são mais resistentes. Além disso, do ponto de vista operacional, a associação dessas operações também é vantajosa.
Embora a adubação foliar apresente uma série de benefícios, ela requer uma série de cuidados. Seu uso racional exige conhecimento técnico sobre as exigências nutricionais da cultura, o estágio de desenvolvimento da planta e as condições ambientais. Por não deixar efeitos residuais no solo, geralmente são necessárias várias aplicações ao longo do ciclo. Ainda assim, as doses requeridas são menores, e a absorção, mais rápida, desde que as condições sejam adequadas. Dessa forma, quando bem planejada e executada, essa prática representa uma ferramenta para maximizar a produtividade e promover a sanidade das lavouras.
Referências bibliográficas
EMBRAPA. ESTÁDIOS FENOLÓGICOS E MARCHA DE ABSORÇÃO DE NUTRIENTES DA SOJA. Acesso em: agosto/2025. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1047123/estadios-fenologicos-e-marcha-de-absorcao-de-nutrientes-da-soja.
FAQUIN, V. Nutrição mineral de plantas. Curso de Pós-Graduação “Lato Sensu” (Especialização) a Distância: Solos e Meio Ambiente. Lavras: UFLA/FAEPE. 2005. 186 p.
LAMBAIS, G. R. Aminoácidos como coadjuvantes da adubação foliar e do uso do glifosato na cultura da soja. 2011. 97 p. Dissertação (Mestrado) – Curso de Pós-graduação em Ciências, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz.
MARQUES, L. N. Fertilizante foliar em associação com fungicida em trigo. 2014. 120 p. Dissertação (Mestrado) – Curso de Pós-graduação em Agronomia, Universidade Federal de Santa Maria.
SALDANHA, C. B. et al. Ciência do Solo: Fertilidade do Solo e Nutrição Mineral de Plantas. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional. 2016. 192 p.
PAVINATO, P. S. et al. Revealing soil legacy phosphorus to promote sustainable agriculture in Brazil. Scientific Reports,v.10, n.1, 2020.
Autores
Eng. Agr. Msc. Isabela Bulegon Pilecco
Eng. Agr. Msc. Thiago Stella de Freitas
Eng. Agr. Tuíra Barcellos

