Atualmente, o eucalipto é a principal espécie florestal cultivada no Brasil, ocupando cerca de 77% da área total de florestas plantadas (IBÁ, 2020). Seu rápido crescimento, alta produtividade e múltiplos usos (papel, celulose, móveis, pisos, carvão vegetal e construção civil) fazem com que seja um cultivo atrativo e rentável (Amorim et al., 2021). Apesar de ser apontado como uma planta pouco exigente em relação à fertilidade do solo, em áreas com plantios de eucalipto sem adubação complementar foram encontradas evidências de deficiência nutricional (Silveira et al., 1995).
Uma característica interessante que ocorre em algumas espécies de eucaliptos é a associação mutualística entre fungos e raízes, permitindo melhor aproveitamento dos nutrientes (Araújo et al., 2004). Os organominerais desenvolvidos pela ILSA aliam o fornecimento dos nutrientes através de fontes minerais e orgânicas, favorecendo a atividade biológica do solo. Isso porque a matriz orgânica AZOGEL é benéfica para a saúde do solo em geral, devido à sua baixa relação C/N, que auxilia a manutenção das populações de microrganismos, promovendo a melhoria na saúde do solo, sem causar a imobilização de N para as culturas.
Um dos pontos centrais no manejo do eucalipto é a ciclagem de nutrientes. A serrapilheira formada nas plantações é fundamental para a estabilidade do solo, ajudando na recuperação da vegetação e na redução da erosão (Carvalho et al., 2017). Além disso, parte significativa dos nutrientes absorvidos retorna ao solo via resíduos florestais como galhos, casca, folhas e ponteiros (Melo, 2014). Nestes compartimentos estão presentes cerca de 65% do N, 70% do P e 64% do K assimilados pelas árvores, variando de acordo com a idade e manejo da floresta (Santana et al., 2008). Ainda assim, como há exportação expressiva de nutrientes com a colheita, a adubação torna-se essencial para repor esses elementos e garantir a longevidade produtiva dos plantios. Dentro desse cenário, a adubação se destaca como uma das práticas de manejo mais importantes, pois garante o bom desenvolvimento das mudas, a manutenção da produtividade ao longo dos anos, a sustentabilidade dos sistemas de produção florestal e a qualidade do produto.
Os sintomas de deficiência e as principais respostas à adubação são observados principalmente para fósforo, nitrogênio, potássio, cálcio e magnésio. O fósforo merece destaque por ser um nutriente determinante para o crescimento inicial do eucalipto, especialmente em solos tropicais, onde sua fixação é elevada. A deficiência de P nos primeiros meses compromete o desenvolvimento radicular e, consequentemente, a absorção de água e outros nutrientes, reduzindo o potencial de crescimento da floresta. Entre os micronutrientes, destacam-se boro e zinco, principalmente em solos tropicais. Em áreas mais arenosas e com baixa retenção de água, as respostas à adubação costumam ser mais evidentes, mostrando a importância de um manejo regionalizado e de acordo com as condições de cada solo (Silva & Bellote, 2021).
De forma prática, a adubação do eucalipto pode ser dividida em adubação de plantio, de cobertura e de manutenção. A primeira deve ser realizada no estabelecimento das mudas. Nesse momento, é recomendada a aplicação de 10 a 40% das doses de N e K e 100% da dose de P (Gonçalves, 1995; Silveira et al., 2001). Também é recomendada a aplicação de micronutrientes como boro, zinco e cobre. Essa etapa é determinante para o arranque inicial, especialmente nos primeiros meses após o plantio, quando o sistema radicular ainda está em formação.
Na sequência, é feita a adubação de cobertura, que ocorre a partir de 30 a 40 dias após o transplante, geralmente de forma parcelada. O parcelamento é uma estratégia para aumentar a eficiência da adubação e evitar perdas, especialmente em regiões sujeitas a chuvas intensas ou longos períodos de estiagem. Nessa fase, os nutrientes mais importantes são nitrogênio e potássio, essenciais para sustentar o crescimento inicial da floresta (Silveira & Malavolta, 2000; Andrade, 2004). As aplicações podem se estender de 3 a 24 meses após o plantio, acompanhando o desenvolvimento das árvores, principalmente em relação ao fechamento das copas. Nesse sentido, destaca-se que a disponibilização dos nutrientes provenientes de fertilizantes orgânicos à base de AZOGEL é lenta e gradual, fazendo com que os nutrientes sejam disponibilizados ao longo do ciclo da cultura, reduzindo a necessidade de parcelamento. Geralmente, entre 30 e 36 meses de idade, é realizada a adubação de manutenção, para repor os nutrientes exportados pela colheita, especialmente potássio, cálcio e magnésio.
Nesse cenário, destacam-se duas soluções da ILSA desenvolvidas para atender às demandas nutricionais do eucalipto: o FERTIL e o HyperActive. O FERTIL é um fertilizante orgânico nitrogenado de liberação gradual e alta eficiência produzido à base de AZOGEL, com 12,5% de N. Assim, garante o fornecimento de N constante durante o ciclo produtivo das plantas. Além disso, esse fertilizante possui baixa relação C/N, favorecendo a mineralização e o uso do N do próprio insumo, sem necessidade de recorrer ao N do solo.
Já o HyperActive se destaca como fonte estratégica de fósforo, nutriente mais requerido pelo eucalipto. Sua formulação combina duas formas de P, uma de liberação imediata e outra de liberação gradual, assegurando suprimento adequado tanto no arranque inicial quanto ao longo do desenvolvimento da floresta. Associado a ácidos húmicos e fúlvicos, o HyperActive melhora as condições do solo na rizosfera, reduz perdas por fixação, aumenta a eficiência da adubação e ainda promove maior atividade biológica. Outro benefício é favorecer a agregação das partículas do solo, aumentando a porosidade e a retenção de água, o que contribui para a resistência da floresta em períodos de estiagem.
A adubação do eucalipto deve sempre ser planejada a partir da análise de solo e adaptada às condições de clima, textura e fertilidade de cada região. Mais do que uma ferramenta para aumentar a produtividade, trata-se de uma prática essencial para garantir a longevidade das florestas plantadas e a qualidade dos produtos. Nesse contexto, fertilizantes que aliam fontes minerais e orgânicas com tecnologias de liberação imediata e gradual, como FERTIL e HyperActive, representam um avanço estratégico no manejo florestal, assegurando maior eficiência e sustentabilidade dos sistemas de produção.
Referências bibliográficas
Amorim, V. S. S. et al. Os benefícios ambientais do plantio de eucalipto: revisão de literature. Research, Society and Development, v. 10, n. 11, e318101119604, 2021
Andrade, L. R. M. Corretivos e fertilizantes para culturas perenes e semiperenes. In: SOUSA, D. M. & LOBATO, E. Cerrado: Correção do solo e adubação. 2 ed. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, 2004. cap. 13, p. 317-366.
Araújo, C. V. et al. Micorriza arbuscular em plantações de Eucalyptus cloeziana F. Muell no litoral norte da Bahia, Brasil. Acta Bot. Bras., v. 18, n. 3, p. 513-320, 2004
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IBÁ – Indústria Brasileira de Árvores. Relatório Anual Ibá 2020.
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Silveira, R. L. V. A.; Malavolta, E. Nutrição e adubação potássica em Eucalyptus. Informações Agronômicas, Piracicaba, n. 91, 2000. 12 p
Silveira, R. L. V.A. et al. Seja doutor do seu eucalipto. Informações Agronômicas, Piracicaba, n. 93, 2001. 23 p.
Silva, H. D.; Bellote, A. F. J. Eucalipto – Calagem e adubação. Embrapa, 2021. Disponível em: https://www.embrapa.br/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/eucalipto/producao/implantacao/calagem-e-adubacao
Autores
Eng. Agr. Msc. Isabela Bulegon Pilecco
Eng. Agr. Msc. Thiago Stella de Freitas
Eng. Agr. Tuíra Barcellos

