O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de açúcar, responsável por aproximadamente 18% da produção e 36% do comércio global (Vidal, 2021). Além do açúcar, a cana-de-açúcar é estratégica para a produção de etanol, combustível que contribui para reduzir a pegada de carbono e as emissões de gases de efeito estufa, de acordo com o Acordo de Paris (COP 21). Esse cenário tem impulsionado a expansão do setor sucroalcooleiro e estimulado investimentos em inovações capazes de reduzir custos e aumentar a produtividade (Ribeiro et al., 2023). O Brasil, adaptando-se às exigências de mercado e investindo em qualidade e eficiência, é hoje o player mais capacitado para atender ao crescimento da demanda global, tanto pela ampliação da capacidade produtiva quanto pelo uso de tecnologias que permitem ganhos expressivos de produtividade (Milanez et al., 2024).
O aumento da produtividade e da produção de biomassa pela cultura está diretamente relacionado com maior acúmulo e exportação de nutrientes (Salviano et al., 2017). Entre os nutrientes essenciais, o nitrogênio (N) se destaca por sua importância no crescimento vegetativo e no acúmulo de biomassa, uma vez que participa da síntese de proteínas e clorofila, aumentando a eficiência fotossintética da planta. O fornecimento adequado de N favorece o perfilhamento e a formação de colmos, parte comercial da cultura, enquanto sua deficiência resulta em baixo desenvolvimento e menor produção. Por outro lado, o excesso pode acarretar perdas por lixiviação. Cabe lembrar que a cana apresenta associações com bactérias endofíticas fixadoras de N, o que torna sua exigência relativamente menor que a de outros nutrientes, como o potássio (Salviano et al., 2017). No entanto, cerca de 79% do N absorvido é exportado no momento da colheita, atrás apenas do K, que chega a 87% (Salviano et al., 2017). Em cultivares modernas, a demanda chega a 146 kg de N para cada 100 toneladas de colmo produzidas (Otto et al., 2019).
O ciclo da cana pode ser dividido em três fases (Oliveira et al., 2011): a primeira, de crescimento inicial e perfilhamento, com acúmulo de apenas 10% da biomassa total; a segunda, de intenso crescimento vegetativo, quando ocorre cerca de 80% do acúmulo de matéria seca e nutrientes; e a terceira, de estabilização, associada à maturação dos colmos e ao acúmulo inferior a 10%. A absorção de N se intensifica antes do pico de produção de biomassa, pois a emissão de folhas e o perfilhamento aumentam a exigência nutricional, enquanto a maior parte da matéria seca passa a ser acumulada somente na fase de expansão dos colmos (Otto et al., 2019). Esse comportamento é observado tanto em cana-planta quanto em cana-soca (Figuras 1 e 2).

Figura 1. Marcha de acúmulo de matéria seca e nitrogênio na cana-planta. Adaptado de: Oliveira et al. (2011).

Figura 2. Marcha de acúmulo de matéria seca e nitrogênio na cana-soca. Adaptado de: Oliveira et al. (2011).
Na cana-soca, o N é o primeiro nutriente a se acumular, cerca de 70 dias após o corte (DAC), seguido do P. Por isso, a adubação nitrogenada deve ser realizada até esse período. Em geral, o parcelamento busca aumentar a eficiência de uso, ajustando as aplicações aos períodos de chuva. As soluções oferecidas pela ILSA, que combinam N mineral e orgânico, possibilitam um fornecimento gradual e contínuo, reduzindo a necessidade de parcelamento. Além disso, a presença das matrizes orgânicas AZOGEL e GELAMIN contribui para a manutenção da saúde do solo e o estímulo das populações microbianas.
Utilizando irrigação na cultura, os maiores acúmulos de N, P e K ocorrem nas folhas das plantas de cana-de-açúcar até o dia 120 após o plantio (Oliveira et al., 2010) e 133 após o corte (Salviano et al., 2017). Após esse período, há uma inversão, acumulando mais nutrientes nos colmos (Figura 3). Já em condições de sequeiro, o processo é mais lento, ocorrendo somente após 180 DAP, o que mostra que irrigação e altas temperaturas aceleram a dinâmica nutricional. Esses resultados reforçam a importância de alinhar o manejo da adubação às condições edafoclimáticas de cada região.

Figura 3. Quantidade média de N acumulados no colmo (exportada) e palhada na primeira soqueira da cana de açúcar cultivar RB92579, cultivada no município de Juazeiro-BA, região do Submédio do Vale do São Francisco. Adaptado de: Salviano et al. (2017).
A ciclagem de nutrientes via palhada também merece destaque. Ao final do ciclo, os resíduos representam uma importante fonte de N que pode retornar ao solo. No entanto, a quantidade efetivamente disponível às plantas vai depender da velocidade de decomposição, que varia conforme o clima e a composição da palha. Como grande parte do nitrogênio é exportada pelos colmos (Figura 3), a adubação complementar é indispensável para garantir altas produtividades em ciclos seguintes (Salviano et al., 2017).
Para atender às diferentes demandas nutricionais da cana-de-açúcar e, ao mesmo tempo, favorecer a saúde do solo, a ILSA disponibiliza um portfólio completo de soluções. No plantio, o FERTIL se destaca por reunir alto teor de carbono orgânico, que potencializa a atividade biológica do solo, nitrogênio orgânico de liberação gradual e aminoácidos, garantindo um crescimento inicial equilibrado. Outra opção é o ILSAMIN POTENTE, formulado com a matriz orgânica GELAMIN e substâncias húmicas que intensificam o enraizamento e aumentam a eficiência de absorção de água e nutrientes no sulco de plantio.
Podemos também partir pra adição de aminoácidos como o ILSADRIP FORTE à vinhaça que é um exemplo de tecnologia de ponta na agricultura sustentável. Vai além da simples fertirrigação, posicionando-se como uma estratégia de biorremediação e bioestimulação.
Já a linha GRADUAL MIX, para aplicação via solo, combina a matriz AZOGEL com fontes minerais de fósforo e potássio, apresentando formulações tanto para plantio (cana-planta) como para cobertura (cana-planta e cana-soca). Outra solução oferecida pela ILSA é o AZOSLOW, que associa AZOGEL a fontes minerais de nitrogênio, liberando o nutriente de forma gradual, elevando sua absorção pela cana e reduzindo as perdas por volatilização. Ao longo do ciclo, produtos como ILSADRIP Forte, ILSAMIN Ágile e ETIXAMIN Mega oferecem soluções foliares rápidas e eficientes, fornecendo nutrientes e aminoácidos de forma pontual para prevenir carências e manter a cultura em pleno vigor produtivo.
O mercado da cana-de-açúcar apresenta perspectivas de valorização nos próximos anos, impulsionado pelo crescimento da demanda global sem que outros produtores tenham condições de atender plenamente a esse cenário. O Brasil, que já lidera esse mercado, possui potencial para ampliar sua participação, desde que invista em tecnologias de manejo e aumento de produtividade. Nesse contexto, adotar estratégias nutricionais eficientes e sustentáveis, aliadas a soluções inovadoras como as oferecidas pela ILSA, é caminho seguro para aproveitar as oportunidades do setor.
Bibliographic references
MILANEZ, A. Y. et al. O protagonismo do Brasil no mercado global de açúcar: evolução recente e perspectivas. BNDES Set., v. 30, n. 58, p. 253-288, 2024.
OLIVEIRA, E. C. A. Acúmulo e alocação de nutrientes em cana-de-açúcar. Revista Ciência Agronômica, v. 42, n. 3, p. 579-588, 2011.
OTTO, R. et al. Atualizações sobre exigências nutricionais da cana-de-açúcar para fins de manejo da adubação. Informações Agronômicas NPCT, n. 3, 2019.
RIBEIRO. C. et al. Análise de consumo e produtividade de colhedoras de cana com extratores primários de materiais diferentes. Revista FT, v. 27, n. 128., 2023.
SALVIANO, A. M. et al. Acúmulo e exportação de macronutrientes pela cana de açúcar irrigada no semiárido brasileiro. Revista Científica Intelletto, v. 2, n. 2, 2017.
VIDAL, M. F. Açúcar: cenário mundial e situação de produção no Brasil e no nordeste brasileiro. Caderno Setorial ETENE, n. 162, v. 5, 2021.
Authors
Agr Eng. MSc. Isabela Bulegon Pilecco
Agricultural Eng. Msc. Thiago Stella de Freitas
Agricultural Engineer Tuíra Barcellos

