A fertilização está entre os principais custos de produção de uma lavoura, mas também entre os fatores que mais entregam respostas em produtividade. Assim, é fundamental um manejo bem planejado e executado. A fertirrigação é uma técnica de adubação que consiste na aplicação conjunta do fertilizante com a água da irrigação, permitindo maximizar e até mesmo economizar na utilização dos fertilizantes dentro do sistema produtivo.
Na cultura do café, por exemplo, Fernandes et al. (2007) destacam como principais vantagens no uso da fertirrigação o melhor aproveitamento dos equipamentos de irrigação, economia de mão-de-obra, distribuição uniforme e localizada dos fertilizantes, aplicação de fertilizante em qualquer fase de desenvolvimento da cultura, eficiência do uso e economia de fertilizantes, redução da compactação do solo e dos danos mecânicos à cultura, controle da profundidade de aplicação e possibilidade de aplicação de micronutrientes.
Por outro lado, essa prática exige cuidados. O planejamento deve iniciar pelo conhecimento das condições químicas do solo, o que permite ajustar doses, frequência de aplicação e concentração da solução (Borges e Coelho, 2009). O monitoramento da dinâmica dos nutrientes no perfil do solo também é essencial, tanto para manter a eficiência da fertilização quanto para prevenir problemas ambientais, como salinização e contaminação de fontes de água.
Outro ponto crítico é a qualidade do sistema de irrigação, que deve estar corretamente dimensionado e aplicar água de forma uniforme na lavoura. Para evitar desuniformidade na fertilização, é recomendado iniciar a aplicação dos fertilizantes somente após o completo equilíbrio hidráulico do sistema (Borges e Coelho, 2009). Além disso, buscando mitigar danos aos equipamentos, como corrosão e desenvolvimento de microrganismos, há recomendações para finalizar a fertilização antes do término da irrigação, de forma que todo o fertilizante seja eliminado do sistema.
Entre os benefícios da fertirrigação, destaca-se a possibilidade de aplicação parcelada dos fertilizantes, seguindo a marcha de absorção e estágios de desenvolvimento da cultura. Sendo, portanto, fundamental conhecer o crescimento, desenvolvimento e períodos críticos da cultura em questão, para assim, planejar e maximizar os benefícios dessa prática. A marcha de absorção de nutrientes é o padrão temporal do acúmulo de nutrientes pelas plantas, indicando as fases do ciclo de vida da cultura com maiores exigências nutricionais.
Para milho, por exemplo, Bender et al. (2013) indicaram que até dois terços da absorção de N, K, Mg, Mn, B e Fe ocorreram antes da floração, em comparação com apenas metade de P, S, Zn e Cu. No entanto, muitas vezes a alturas das plantas de milho inviabilizam a aplicação de fertilizantes de forma convencional em estágios mais avançados do ciclo de desenvolvimento. O nitrogênio é o nutriente mais aplicado em fertirrigação, pois o seu parcelamento é recomendado, em razão da sua alta mobilidade no solo (principalmente nos arenosos), além de ser um dos nutrientes mais demandados pelas culturas comerciais (Borges e Coelho, 2009). Considerando uma expectativa de produtividade de 12 t ha-1 de milho, são necessários cerca de 240 kg de N ha⁻¹ (Pilecco et al., 2024), assim, aproximadamente 80 kg ha-1 ainda são absorvidos após o florescimento. A fertirrigação possibilita suprir essa demanda de forma eficiente e no momento adequado, garantindo o enchimento de grãos e a manutenção da área foliar ativa.
Outro diferencial é a rapidez com que os nutrientes atingem as raízes. Como o fertilizante já se encontra em solução, a infiltração no solo ocorre de forma mais uniforme e com maior interceptação pelo sistema radicular (Borges e Coelho, 2009). O fósforo, por exemplo, que possui característica de adsorção à matriz do solo, deve ser aplicado o mais próximo possível das raízes, sendo os sistemas de irrigação localizados mais adequados à aplicação via fertirrigação.
A absorção de nutrientes pelo sistema radicular depende dentre outros, da taxa de absorção diária de nutrientes, da relação entre a concentração de nutrientes na solução do solo e da taxa de absorção e da necessidade diária das plantas. Além disso, depende da disponibilidade e concentração do nutriente na solução (Borges e Coelho, 2009). Assim, as fontes de fertilizantes empregadas devem apresentar alta solubilidade, essencial tanto para garantir que a concentração final do nutriente na solução seja, de fato, a calculada, como também para não causar entupimentos nos emissores. Além da solubilidade das fontes de fertilizantes, é importante atentar para a temperatura da água, que deve estar próxima a 20º C. Temperaturas mais baixas, principalmente no inverno, levam a uma menor solubilização.
Para atender a essas exigências, a ILSA oferece soluções específicas para fertirrigação, como o Etixamin KALLY, que combina GELAMIN e sulfato de potássio, sendo uma excelente fonte de N orgânico, K e S, ideal para aplicações no final do ciclo; o Etixamin DF, com 16% de N exclusivamente proveniente do GELAMIN e certificação Ecocert, garantindo sustentabilidade; e o ETIXAMIN MEGA, que reúne uma ampla variedade de macro e micronutrientes, incluindo N, P, K, Mg, S, B, Cu, Zn e Mo.
Assim, quando bem planejada e executada, a fertirrigação alia eficiência técnica, sustentabilidade ambiental e viabilidade econômica, atendendo as demandas da planta no momento adequado e otimizando o uso de recursos.
Bibliographic references
BENDER, R. R. et al. Nutrient Uptake, Partitioning, and Remobilization in Modern, Transgenic Insect‐Protected Maize Hybrids. Agronomy Journal, v. 105, n. 1, p. 161–170, 2013.
BORGES, A.; COELHO, E. F. Fertirrigação em fruteiras tropicais. 2° ed. Cruz das Almas: Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, 2009. 179p.
FERNANDES, T. et al. Avaliação do uso de fertilizantes organominerais e químicos na fertirrigação do cafeeiro irrigado por gotejamento. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v. 11, n. 2, p. 159–166, 2007.
PILECCO, I. B. Ecofisiologia do milho visando altas produtividades. 3° ed. Santa Maria: GR, 2024. 400p.
Authors
Agr Eng. MSc. Isabela Bulegon Pilecco
Agricultural Eng. Msc. Thiago Stella de Freitas
Agricultural Engineer Tuíra Barcellos

