{"id":17298,"date":"2024-12-12T15:43:27","date_gmt":"2024-12-12T18:43:27","guid":{"rendered":"https:\/\/ilsabrasil.com.br\/?p=17298"},"modified":"2024-12-17T19:05:13","modified_gmt":"2024-12-17T22:05:13","slug":"a-evolucao-da-agricultura-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ilsabrasil.com.br\/es\/a-evolucao-da-agricultura-brasileira\/","title":{"rendered":"A evolu\u00e7\u00e3o da agricultura Brasileira"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\">A agricultura compreende a atividade econ\u00f4mica respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de alimentos que ao longo da hist\u00f3ria ocupou as terras f\u00e9rteis de vales de rios e posteriormente, desenvolveu t\u00e9cnicas e procedimentos que tornaram os solos mais produtivos, buscando sempre uma maior produtividade. Com o advento da ind\u00fastria e o fortalecimento das cidades, a agricultura tornou-se um setor dependente das inova\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas industriais e estabeleceu-se uma interdepend\u00eancia entre os setores. \u00c9 a agricultura que gera o alimento consumido por toda a popula\u00e7\u00e3o, seja essa popula\u00e7\u00e3o rural ou urbana. (LIMA; DE ASSIS SILVA; DE FREITAS IWATA, 2019).<br>Historicamente, os setores que englobam a economia dos pa\u00edses s\u00e3o classificados como setor prim\u00e1rio, setor secund\u00e1rio e setor terci\u00e1rio. A agricultura encontra-se inserida no setor prim\u00e1rio, que compreende as atividades agr\u00edcolas, pecu\u00e1rias e extrativas (LIMA; DE ASSIS SILVA; DE FREITAS IWATA, 2019).<br>De forma generalizada costuma-se definir a agricultura como o conjunto de t\u00e9cnicas utilizadas para cultivar plantas com o objetivo de obter alimentos, fibras, energia, mat\u00e9ria-prima para roupas, constru\u00e7\u00f5es, medicamentos, ferramentas etc. Sua origem remota ao per\u00edodo neol\u00edtico h\u00e1 mais de 10 mil anos, em algumas regi\u00f5es pouco numerosas e relativamente pouco extensas do planeta. Embora datem seu in\u00edcio, h\u00e1 tempos bem remotos, conv\u00e9m lembrar que o homem surgiu h\u00e1 mais de 100 mil anos. Foi nesse per\u00edodo hist\u00f3rico que ocorreu a evolu\u00e7\u00e3o da pedra lascada para a pedra polida, bem como, o surgimento da cer\u00e2mica (MAZOYER ; ROUDART, 2010).<br>Ressalta-se que inicialmente, os instrumentos de trabalho utilizados na pr\u00e1tica agr\u00edcola, n\u00e3o haviam sidos criados especificamente para esse fim, tais quais: foices, moinhos e pe\u00e7as de cer\u00e2micas para armazenamento. Continuamente com o desenvolvimento de novos instrumentos de trabalho, a agricultura se destaca na gera\u00e7\u00e3o de alimentos e manuten\u00e7\u00e3o das sociedades, juntamente com o uso de animais de tra\u00e7\u00e3o incorporados ao processo produtivo (LIMA; DE ASSIS SILVA; DE FREITAS IWATA, 2019).<br>Com o desenvolvimento da agricultura mediante o avan\u00e7o das t\u00e9cnicas, passou a ocorrer uma maior fixa\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es a determinados locais, que culminou com o aumento populacional acelerado, ocasionando uma maior demanda por terras objetivando a produ\u00e7\u00e3o de cereais para alimentar a humanidade. Mudan\u00e7as nos h\u00e1bitos alimentares acabaram por gerar uma crise no sistema agr\u00edcola que mostrava sua capacidade deficit\u00e1ria para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos. As respostas aos problemas surgem em formas de guerras entre as comunidades ou fam\u00edlias e as migra\u00e7\u00f5es populacionais (OLIVEIRA J\u00daNIOR, 1989).<br>O aumento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola ao longo dos tempos, que ocorreu em fun\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as das formas de produzir e do advento de novos equipamentos e m\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o, foram as bases das revolu\u00e7\u00f5es na agricultura na era contempor\u00e2nea, que contribu\u00edram modificando a estrutura de produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 ent\u00e3o conhecida com o acr\u00e9scimo de novos equipamentos e mudan\u00e7as no mundo do trabalho no que tange \u00e0 divis\u00e3o social do trabalho (MAZOYER; ROUDART, 2010).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MODERNIZA\u00c7\u00c3O DA AGRICULTURA<br>A agricultura tradicional, conhecida como Agricultura 1.0, tem como caracter\u00edstica a baixa produ\u00e7\u00e3o e o uso modesto de tecnologias, \u00e9 vista como um trabalho de subsist\u00eancia, com equipamentos artesanais e com o uso da tra\u00e7\u00e3o anima, sendo ainda praticada em muitas propriedades no Brasil, mas perdeu-se muito espa\u00e7o no in\u00edcio do s\u00e9culo XX (SANTOS, 2019; SANTOS et al., 2019).<br>Na d\u00e9cada de 1950, as m\u00e1quinas que funcionam com motores a combust\u00e3o come\u00e7am a substituir os animais, dando in\u00edcio a fase que chamamos de Agricultura 2.0, iniciando com a produ\u00e7\u00e3o em escala e a comercializa\u00e7\u00e3o de insumos e da produ\u00e7\u00e3o ultrapassando os limites territoriais dos pa\u00edses (SANTOS, 2019; SANTOS et al.2019).<br>Entre os anos de 1990 e 2010, a chamada a Agricultura 3.0 ganha espa\u00e7o, em diferentes \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o come\u00e7aram a ser observadas e estudos complementares passaram a ser feitos para dar mais precis\u00e3o aos tratos culturais despendidos, era o in\u00edcio da Agricultura de Precis\u00e3o, e tecnologias como o georreferenciamento via sat\u00e9lite passam a indicar com grande precis\u00e3o a real necessidade tanto de aduba\u00e7\u00e3o como irriga\u00e7\u00e3o de cada \u00e1rea (MIRANDA et al, 2017).<br>Ap\u00f3s 2010, h\u00e1 o surgimento da Agricultura 4.0, que incorpora todas as tecnologias anteriormente utilizadas com o incremento da automa\u00e7\u00e3o e da conectividade, com uso de m\u00e1quinas e ve\u00edculos aut\u00f4nomos, drones e animais com sensores est\u00e3o conectados diretamente a uma central que processa toda a informa\u00e7\u00e3o, permitindo que as decis\u00f5es sejam tomadas de forma mais eficiente, conhecido como Agricultura Inteligente ou \u201cSmart Agriculture\u201d (MASSRUH\u00c1; LEITE, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REVOLU\u00c7\u00c3O VERDE<br>O termo Revolu\u00e7\u00e3o Verde (Green Revolution) foi cunhado em 1968 por William S. Gaud, diretor da United States Agency for Internacional Development (USAID), para descrever o aumento na produ\u00e7\u00e3o de alimentos a partir da transfer\u00eancia de tecnologia para outras partes do mundo pobre (CUNHA et al., 2010; ANDERSOM et al., 2020).<br>A Revolu\u00e7\u00e3o Verde, promoveu o uso de agrot\u00f3xicos, fertilizantes e m\u00e1quinas na agricultura que aconteceu em v\u00e1rias partes do mundo no per\u00edodo p\u00f3s Segunda Guerra, esse processo de moderniza\u00e7\u00e3o da agricultura dependia de um conjunto de vari\u00e1veis t\u00e9cnicas, sociais, pol\u00edticas e principalmente econ\u00f4micas (SERRA et al., 2016; ANDERSOM et al., 2020).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REVOLU\u00c7\u00c3O VERDE NO BRASIL<br>Com base no pressuposto que o setor industrial passou a abastecer a agricultura com os insumos necess\u00e1rios a produ\u00e7\u00e3o, a contrapartida deveria ser estabelecida, ou seja, para a manuten\u00e7\u00e3o do setor industrial a agricultura deveria oferecer \u201cm\u00e3o-de-obra\u201d e mat\u00e9rias-primas para o setor agroindustrial, tanto no mercado interno como externo (ANDERSOM et al., 2020). Estabelecida esta rela\u00e7\u00e3o, a partir da d\u00e9cada de 1950 come\u00e7aram a se instalar no Brasil as empresas com sede no Primeiro Mundo dando in\u00edcio a forma\u00e7\u00e3o do CAI &#8211; Complexo Agroindustrial brasileiro (TOLENTINO, 2016; ANDERSOM et al., 2020).<br>Mas, a efetiva\u00e7\u00e3o de um setor produtor de bens de produ\u00e7\u00e3o voltado realmente para a agricultura ocorreu apenas no final da d\u00e9cada de 1960 no Brasil, neste momento foi poss\u00edvel implementar o desenvolvimento da agricultura em escala nacional, ficando esse processo conhecido como \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o da agricultura\u201d (MARAFON, 1998; ANDERSOM et al., 2020).<br>O governo federal para dar prosseguimento ao processo de moderniza\u00e7\u00e3o da agricultura brasileira abriu linhas de cr\u00e9dito, para tanto foi criado o Sistema Nacional de Cr\u00e9dito Rural (SNCR) que, destinava a atender principalmente a demanda dos grandes propriet\u00e1rios de terras, permitindo aos agricultores o acesso aos insumos produtivos e tamb\u00e9m o fortalecimento do Complexo Agroindustrial brasileiro (SORDI, 1980; SOUZA et al., 2020).<br>A moderniza\u00e7\u00e3o da agricultura brasileira foi focada no grande produtor, antigas rela\u00e7\u00f5es de trabalho entre o grande propriet\u00e1rio e o campon\u00eas se deterioram, a mecaniza\u00e7\u00e3o ocupou o lugar de muitos e eles se viam for\u00e7ados a se deslocar para os grandes centros que em busca de emprego nas ind\u00fastrias, o Brasil passou de um pa\u00eds com a maioria da popula\u00e7\u00e3o no campo para um pa\u00eds majoritariamente urbano (TOLENTINO, 2016; ANDERSOM et al., 2020).<br>No Brasil, o plantio direto tem sido amplamente adotado desde a d\u00e9cada de 1970, especialmente em culturas como soja, milho e trigo. Essa pr\u00e1tica foi fundamental para transformar regi\u00f5es como o Cerrado em grandes polos agr\u00edcolas, promovendo maior produtividade e sustentabilidade. Atualmente, o pa\u00eds \u00e9 l\u00edder mundial na aplica\u00e7\u00e3o dessa t\u00e9cnica, com milh\u00f5es de hectares gerenciados sob o sistema.<br>A pr\u00e1tica de Plantio Direto contribuiu para consolidar o pa\u00eds como um dos maiores produtores de gr\u00e3os do mundo, aumentando a efici\u00eancia em regi\u00f5es como o Cerrado e incentivando a ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas agr\u00edcolas mais sustent\u00e1veis.<br>O plantio direto \u00e9, portanto, um dos pilares do desenvolvimento agr\u00edcola moderno, combinando ganhos econ\u00f4micos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na d\u00e9cada de 1990 o Brasil experimentou um forte e progressivo aumento de produtividade no campo, que o transformou em um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo, contudo outros desafios foram deixados, tais como, uma agricultura mais sustent\u00e1vel (ao meu ver foi justamente a\u00ed que iniciamos uma revolu\u00e7\u00e3o no quesito de sustentabilidade, pois foi justamente na d\u00e9cada de 90 que o plantio direto na palha come\u00e7ou a ser difundido no Brasil) e mais ambientalmente correta e uma maior valoriza\u00e7\u00e3o do pequeno produtor que, expulso do campo foi relegado as periferias de grandes capitais (VIEIRA FILHO, 2018; ANDERSOM et al., 2020).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL: VALORIZA\u00c7\u00c3O DA AGRICULTURA<br>Entre os anos e 1950 e 1970 a agricultura brasileira era rudimentar e prevalecia o trabalho bra\u00e7al, o uso de maquin\u00e1rios nas propriedades quase n\u00e3o existia (SANTOS, 2019; ANDERSOM et al., 2020).<br>De acordo com Schuh e Alves (1971), muito pouco se conhecia da din\u00e2mica dos solos o que limitava a capacidade de gerar novas variedades mais produtivas, enquanto na pecu\u00e1ria o desconhecimento era igual, n\u00e3o se tinha no\u00e7\u00e3o de quais combina\u00e7\u00f5es de atividades eram mais lucrativas e pouca pesquisa era feita, o resultado era o baixo rendimento por hectare e pouca produ\u00e7\u00e3o na pecu\u00e1ria, cada vez mais se exigia \u00e1reas maiores para a produ\u00e7\u00e3o, gerando impactos ambientais como eros\u00e3o e assoreamento.<br>Este per\u00edodo foi marcado por uma forte industrializa\u00e7\u00e3o, o poder aquisitivo da popula\u00e7\u00e3o aumentava com o n\u00famero de habitantes, mas o campo n\u00e3o respondia a altura, era necess\u00e1ria uma expans\u00e3o produtiva no campo para assim, garantir que o processo de industrializa\u00e7\u00e3o se mantivesse (CAMPOS et al., 2019).<br>Era necess\u00e1rio a implanta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas para aumentar a produ\u00e7\u00e3o e a produtividade como incrementar a pesquisa e desenvolvimento, promover a extens\u00e3o rural e oferecer cr\u00e9dito a baixos custos (EMBRAPA, 2018). Para atender uma demanda externa, inova\u00e7\u00f5es nos processos de produ\u00e7\u00e3o foram feitos por meio de pol\u00edticas de Estado no incremento de cr\u00e9ditos agr\u00edcolas e no incentivo a pesquisa com a cria\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria \u2013 EMBRAPA (LOB\u00c3O, 2018).<br>O Brasil \u00e9 privilegiado pela abund\u00e2ncia de recursos naturais que favorecem as pr\u00e1ticas agr\u00edcolas, mas o que fez a diferen\u00e7a nos \u00faltimos 50 anos foi o investimento em pesquisas (EMBRAPA, 2018).<br>Culturas antes tidas como de clima temperado, como a soja, hoje \u00e9 cultivada em todas as regi\u00f5es brasileiras. Estamos produzindo uvas na regi\u00e3o do semi\u00e1rido, algo antes nunca pensado. E, assim, v\u00e1rios s\u00e3o os exemplos do que ocorreu com a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola no Brasil, especialmente, a partir dos anos de 1970. Com a expans\u00e3o da agricultura, surgiram v\u00e1rias cidades, como exemplo S\u00e3o Gabriel do Oeste e Chapad\u00e3o do Sul, em Mato Grosso do Sul; Sorriso, Primavera do Leste e Quer\u00eancia em Mato Grosso; Luiz Eduardo Magalh\u00e3es, na Bahia. V\u00e1rias outras cidades se transformaram em polo de desenvolvimento gra\u00e7as a expans\u00e3o da agricultura, como Dourados, MS, Londrina e Maring\u00e1 no Paran\u00e1; Rondon\u00f3polis em Mato Grosso; Balsas no Maranh\u00e3o; Rio Verde em Goi\u00e1s; Uberl\u00e2ndia em Minas Gerais, dentre v\u00e1rias outras (EMBRAPA, 2023).<br>Em 1972, o ent\u00e3o Ministro da Agricultura, Lu\u00eds Fernando Cirne Lima, por meio da Portaria n\u00ba143, instituiu um grupo de trabalho para analisar o Sistema de Pesquisa Agropecu\u00e1rio Brasileiro, com vistas a tornar mais efetivo o processo de moderniza\u00e7\u00e3o do campo, por meio deste grupo foi criada a EMBRAPA, sendo a intui\u00e7\u00e3o que contemplava o maior volume de recursos e maior n\u00famero de pesquisadores (MENGEL; AQUINO, 2015).<br>O objetivo inicial da cria\u00e7\u00e3o da Embrapa era pensar um sistema de produ\u00e7\u00e3o em que estivessem integrados agricultores, fabricantes de m\u00e1quinas, insumos e beneficiadores de produtos agr\u00edcolas (MENGEL; AQUINO, 2015).<br>Os esfor\u00e7os para a eleva\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e da produtividade passariam necessariamente pelo incremento de pesquisas que poderiam tornar o sistema produtivo mais integrado e desenvolvido (ROMMINGER, 2017).<br>Avan\u00e7os na melhoria gen\u00e9tica na agropecu\u00e1ria e no trato do solo como o uso de fertilizantes, aliados a pol\u00edticas p\u00fablicas e a compet\u00eancia dos produtores contribu\u00edram para um expressivo aumento da produ\u00e7\u00e3o e produtividade nos \u00faltimos 50 anos (EMBRAPA, 2018).<br>Os investimentos em pesquisas foram fundamentais para transformar o Brasil em um grande exportador de alimentos (LOB\u00c3O, 2018). A Embrapa teve papel fundamental na moderniza\u00e7\u00e3o da agropecu\u00e1ria Brasileira, como fonte de fornecimento de conhecimento e novas tecnologias, al\u00e9m de ser respons\u00e1vel pela expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola para o Cerrado (ROMMINGER, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AGRICULTURA REGENERATIVA<br>A agricultura regenerativa traz, em sua vis\u00e3o hol\u00edstica sustent\u00e1vel, diversas vantagens aos sistemas de cultivo agr\u00edcola e ao meio ambiente, tais como: melhor utiliza\u00e7\u00e3o dos solos, de acordo com sua aptid\u00e3o; recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas; utiliza\u00e7\u00e3o de insumos biol\u00f3gicos; valoriza\u00e7\u00e3o e otimiza\u00e7\u00e3o dos recursos naturais e microrganismos do solo; e aux\u00edlio na revers\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas (DIAS, 2023).<br>O termo &#8220;agricultura regenerativa&#8221; foi criado na d\u00e9cada de 80 por Robert Rodale (fundador do Instituto Rodale), com o objetivo de melhorar a qualidade dos solos utilizando t\u00e9cnicas org\u00e2nicas (MACHADO e RHODEN, 2022). Segundo Rodale (2014), a agricultura regenerativa melhora os recursos ao inv\u00e9s de destru\u00ed-los ou esgot\u00e1-los, incentivando a inova\u00e7\u00e3o cont\u00ednua na lavoura, com foco no bem-estar ambiental, social e econ\u00f4mico. A agricultura regenerativa \u00e9 descrita por Rhodes (2017) como um processo que melhora a sa\u00fade do solo e restaura um ambiente altamente degradado, contribuindo para sua produtividade. Dessa forma, evita-se o esgotamento de recursos naturais (solo e \u00e1gua), criando um ambiente sustent\u00e1vel para o cultivo de alimentos.<br>De acordo com LaCanne e Lundgren (2018), h\u00e1 cinco pr\u00e1ticas que est\u00e3o consideravelmente associadas \u00e0 agricultura regenerativa: (1) Minimiza\u00e7\u00e3o do preparo do solo;(2) Elimina\u00e7\u00e3o do solo nu; (3) Promo\u00e7\u00e3o da diversidade de culturas; (4) Incentivo \u00e0 infiltra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua no solo; e (5) Integra\u00e7\u00e3o entre as opera\u00e7\u00f5es de pecu\u00e1ria e cultivo. Essas pr\u00e1ticas conservacionistas t\u00eam potencial de acumular carbono org\u00e2nico no solo, aumentando a capacidade de reten\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e nutrientes e, portanto, contribuem potencialmente para o sequestro de carbono atmosf\u00e9rico por meios naturais. Mais informa\u00e7\u00f5es sobre o tema Agricultura regenerativa temos dispon\u00edvel um texto completo no blog.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AGRICULTURA 4.0<br>A agricultura 4.0 desperta crescente interesse pol\u00edtico, econ\u00f4mico e ambiental. T\u00e9cnicas como edi\u00e7\u00e3o gen\u00f4mica de safras, monitoramento por sat\u00e9lite de vari\u00e1veis meteorol\u00f3gicas, softwares de gest\u00e3o agr\u00edcola, sensores de controle de pesticidas e irriga\u00e7\u00e3o, mapeamento digitalizado de \u00edndices de fertilidade, umidade, temperatura e condi\u00e7\u00f5es f\u00edsico-geo-qu\u00edmicas do solo caracterizam a agricultura 4.0 (CLAPP; RUDER, 2020; THIELE, 2020). Essas pr\u00e1ticas t\u00eam se difundido h\u00e1 algum tempo nos pa\u00edses desenvolvidos, particularmente em pot\u00eancias agr\u00edcolas como Estados Unidos, dado o incremento na produtividade que proporcionam. Podemos verificar, ainda, movimento recente de incorpora\u00e7\u00e3o dessa pr\u00e1tica em pot\u00eancias agr\u00edcolas de renda m\u00e9dia, como o Brasil (VIOLA e MENDES, 2022).<br>Estudos recentes t\u00eam se debru\u00e7ado sobre os aspectos ambientais da agroind\u00fastria 4.0, particularmente no que diz respeito \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, uso de agroqu\u00edmicos e efici\u00eancia no emprego de recursos naturais (VIOLA e MENDES, 2022). Nicholson e Reynolds (2020) exploraram como a geo-engenharia pode ajudar a reverter as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas antropog\u00eanicas, se utilizada na produ\u00e7\u00e3o de energia de baixo custo e zero carbono, armazenamento de eletricidade e remo\u00e7\u00e3o de CO2 da atmosfera. Outros analisaram experimentos e redes informais de difus\u00e3o tecnol\u00f3gica, e como afetam a governan\u00e7a da sustentabilidade (BERNARDS et al., 2020). Alguns v\u00eam estudando a biologia sint\u00e9tica aplicada \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o assistida, de-extin\u00e7\u00e3o e tecnologias de restaura\u00e7\u00e3o da diversidade biol\u00f3gica (THIELE, 2020), enquanto outros buscam compreender a inter-rela\u00e7\u00e3o entre organismos geneticamente modificados e organismos condutores de genes, e como podem contribuir com a conserva\u00e7\u00e3o da natureza (REYNOLDS, 2020).<br>Com a agricultura 4.0, a intensidade, robustez e complexidade tecnol\u00f3gicas dos sistemas agroindustriais avan\u00e7am consideravelmente. Isso resulta em: gera\u00e7\u00e3o de volume de dados sem precedentes sobre a agricultura nacional, que poder\u00e3o ser utilizados como insumos para pol\u00edticas setoriais; redu\u00e7\u00e3o progressiva no total da m\u00e3o de obra empregada, com impactos consider\u00e1veis para o mercado de trabalho agr\u00edcola no pa\u00eds, al\u00e9m de crescente especializa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria a essa m\u00e3o de obra; necessidade de adequa\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria em termos de pol\u00edticas de privacidade de dados e seguran\u00e7a dos sistemas computacionais (p\u00fablicos e privados) que gerenciam e armazenam dados sobre a agricultura brasileira. Nesse cen\u00e1rio, o potencial da agricultura 4.0 para uma transi\u00e7\u00e3o de baixo-carbono tem sido debatido, podendo ser examinado atrav\u00e9s dos modelos de Transi\u00e7\u00f5es para a Sustentabilidade (VIOLA e MENDES, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ILSA NESTE CONTEXTO<br>A Ilsa \u00e9 refer\u00eancia mundial em biotecnologia por transformar mat\u00e9rias-primas de origem renov\u00e1vel em produtos de alto desempenho para a agricultura. Utiliza m\u00e9todos industriais modernos e sustent\u00e1veis, que s\u00e3o uma \u00f3tima solu\u00e7\u00e3o para passivos ambientais de diversos setores industriais.<br>El resultado de estos procesos son fertilizantes altamente eficientes, que ayudan a la agricultura org\u00e1nica y especializada a incrementar la productividad y la calidad de los cultivos, de una manera cada vez m\u00e1s responsable y consciente.<br>As matrizes Azogel e Gelamin, granulada e l\u00edquida respectivamente, s\u00e3o ricas em nitrog\u00eanio org\u00e2nico e amino\u00e1cidos. As duas matrizes s\u00e3o obtidas por processos distintos de hidrolise. Al\u00e9m disso, possuem variadas formula\u00e7\u00f5es as quais atendem a demandas nutricionais de diferentes culturas. Esta combina\u00e7\u00e3o permite o desbloqueio do potencial do solo, pois a matriz org\u00e2nica ir\u00e1 interferir em par\u00e2metros biol\u00f3gicos e f\u00edsicos do solo, enquanto que a parte mineral do fertilizante ir\u00e1 atuar em par\u00e2metros qu\u00edmicos, desta forma, a influ\u00eancia destes fertilizantes no solo se d\u00e1 de forma mais abrangente considerando todos os par\u00e2metros respons\u00e1veis pela qualidade e sa\u00fade do solo.<br>Os produtos da Ilsa atuam desde a manuten\u00e7\u00e3o da qualidade do solo at\u00e9 no metabolismo da planta, dessa forma corroborando com a efici\u00eancia do sistema de cultivo empregado em diferentes culturas e alinhando-se aos conceitos modernos como os da agricultura regenerativa<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<br>Quando consideramos o avan\u00e7o hist\u00f3rico no processo produtivo da agricultura e seus impactos no desenvolvimento das sociedades, percebe-se que o mesmo foi fundamental para ampliar o conv\u00edvio dos seres humanos, favorecendo, com o passar do tempo, as trocas de conhecimentos e promovendo saltos tecnol\u00f3gicos que interferiram nas esferas econ\u00f4micas, sociais e pol\u00edticas (ANDERSOM et al., 2020).<br>No Brasil, apesar de apresentar nos s\u00e9culos iniciais de sua exist\u00eancia, por parte de seus colonizadores, interesse em desenvolver uma agricultura mais voltada para a demanda externa, com a Revolu\u00e7\u00e3o Verde, j\u00e1 no s\u00e9culo XX, come\u00e7ou a explorar seu verdadeiro potencial produtivo (ANDERSOM et al., 2020).<br>Em vista disso, a agricultura acompanha a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, o que tem levado a resultados cada vez mais satisfat\u00f3rios em rela\u00e7\u00e3o a obten\u00e7\u00e3o de maiores produtividades sem aumento expressivo de novas \u00e1reas, reafirmando a efici\u00eancia da integra\u00e7\u00e3o agricultura \u2013 tecnologia \u2013 agricultor.<br>Os fertilizantes org\u00e2nicos e organominerais ser\u00e3o determinantes nos novos avan\u00e7os da agricultura:<br>Atuam em Cultivos sustent\u00e1veis: Eles t\u00eam sido fundamentais em sistemas agr\u00edcolas como a agroecologia e a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, onde h\u00e1 maior preocupa\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade do solo e o impacto ambiental.<br>Recupera\u00e7\u00e3o de solos degradados: Sua aplica\u00e7\u00e3o \u00e9 eficaz em \u00e1reas com baixa fertilidade, ajudando a restaurar solos empobrecidos.<br>Os fertilizantes organominerais representam uma inova\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica para o futuro da agricultura, especialmente diante dos desafios globais relacionados \u00e0 seguran\u00e7a alimentar, sustentabilidade e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Integrando componentes org\u00e2nicos e minerais, eles podem desempenhar um papel essencial na transi\u00e7\u00e3o para sistemas agr\u00edcolas mais resilientes e produtivos.<br>As matrizes org\u00e2nicas da ILSA representam uma alternativa inovadora e sustent\u00e1vel para o avan\u00e7o agr\u00edcola. Esses fertilizantes transformam um subproduto industrial, que poderia ser descartado como lixo, em um insumo valioso para a agricultura, promovendo uma economia circular e reduzindo o impacto ambiental e transformando um passivo ambiental em fertilizantes de alto desempenho ricos em nutrientes, como nitrog\u00eanio e carbono org\u00e2nico, estimulando a atividade microbiana, promovendo um solo mais saud\u00e1vel e produtivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Referencias<br>ANDERSON, Carlos Guida et al. A moderniza\u00e7\u00e3o da agricultura e o caso brasileiro. SUSTENTABILIDADE NO AGRONEG\u00d3CIO, p. 53, 2020.<br>BERNARDS, N.; CAMPBELL-VERDUYN, M. 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Dispon\u00edvel em https:\/\/www.embrapa.br\/documents\/10180\/9543845\/Vis%C3%A3o+2030+-+o+futuro+da+agricultura+brasileira\/2a9a0f27-0ead-991a-8cbf-af8e89d62829<br>EMBRAPA, Artigo &#8211; A evolu\u00e7\u00e3o da agricultura do Brasil. 2023. Dispon\u00edvel em https:\/\/www.embrapa.br\/busca-de-noticias\/-\/noticia\/81665485\/artigo&#8212;a-evolucao-da-agricultura-do-brasil<br>LACANNE,C.E.;LUNDGREN,J.G.Regenerative agriculture: merging farming and natural resource conservation profitably. PeerJ, 2018.<br>LIMA, Ant\u00f4nia Francisca; DE ASSIS SILVA, Edv\u00e2nia Gomes; DE FREITAS IWATA, Bruna. Agriculturas e agricultura familiar no Brasil: uma revis\u00e3o de literatura. Retratos de Assentamentos, v. 22, n. 1, p. 50-68, 2019.<br>LOB\u00c3O, M. S. P. Meio rural, agropecu\u00e1ria e moderniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola: uma discuss\u00e3o te\u00f3rica. Revista Observatorio de la Econom\u00eda Latinoamericana, Julho, 2018.<br>MACHADO, Marco Antonio; RHODEN, Anderson Clayton. 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Thiago Stella de Freitas<br>Ing. Agr. Tu\u00edra Barcellos<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A agricultura compreende a atividade econ\u00f4mica respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de alimentos que ao longo da hist\u00f3ria ocupou as terras f\u00e9rteis de vales de rios e posteriormente, desenvolveu t\u00e9cnicas e procedimentos que tornaram os solos mais produtivos, buscando sempre uma maior produtividade. 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