O Brasil é o quarto maior produtor mundial de banana. A bananeira (Musa cvs.) é cultivada em todos os estados do país, sendo seu fruto um dos mais populares e consumidos no Brasil. No entanto, a cultura enfrenta diversos desafios fitossanitários, especialmente relacionados a doenças causadas por fungos, bactérias, vírus e nematoides, que acarretam perdas na produção e na qualidade dos frutos (Gurgel et al., 2010). Dentre essas doenças, destacam-se a sigatoka-amarela (Mycosphaerella musicola, Leach), a sigatoka-negra (Mycosphaerella fijiensis, Morelet) e o mal-do-Panamá (Fusarium oxisporum f. F. sp. cubense) (Cordeiro et al., 2004; Cordeiro et al., 2005). Esses problemas são agravados pelo uso predominante, por parte dos produtores brasileiros, de variedades dos subgrupos Cavendish (como Prata, Nanica, Nanicão e Grand Naine) e Maçã, que podem ser altamente suscetíveis a essas doenças.
Embora o uso de variedades resistentes seja uma alternativa importante, outras medidas de manejo também são essenciais. Malavolta (2006) aponta que plantas bem nutridas tendem a apresentar menor incidência, severidade e danos causados por pragas e doenças. A suscetibilidade da planta às doenças é influenciada pelo desequilíbrio nutricional de macro e micronutrientes, que acaba reduzindo a resposta de defesa. Assim, algumas medidas preventivas são recomendadas, dentre elas, manter as plantas bem nutridas. Para o mal-do-Panamá, por exemplo, estudos destacam a importância de uma boa relação entre potássio, cálcio e magnésio, além da correção adequada do pH do solo (Cordeiro, 1997; Cordeiro et al., 2004; Trindade et al., 2002). Para sigatoka-amarela e sigatoka-negra, adubações balanceadas, principalmente com potássio e matéria orgânica, são práticas que contribuem para níveis ideais de controle (Trindade et al., 2002). Isso porque, em plantas bem nutridas observa-se uma rápida emissão de folhas, além de ocorrer melhoria nas barreiras de resistência física e química e melhor expressão da resistência, principalmente horizontal (Freitas et al., 2013).
Estudos realizados no Brasil reforçam a correlação entre estado nutricional e sanidade dos bananais. O cultivo de Prata Anã e Branca em Santa Catarina, em solos com baixos valores de pH e teores de Ca, Mg e Zn, teve alta incidência de murchamento causado pela fusariose (Malburg et al., 1984). Na Bahia e no Espírito Santo, áreas com relatos dessa doença apresentaram pH e níveis de Ca, Mg e Zn reduzidos, além de relações K/Ca e K/Mg elevadas (Embrapa, 1987). Na Paraíba, a incidência e severidade do mal-do-Panamá na cultivar Pacovan foi relacionada, principalmente, com pH e níveis de Ca e Al no solo, sendo que pH ácido e baixos níveis de Ca e Mg estavam associados a plantas doentes, bem como relações desfavoráveis entre K/Mg, Ca/Mg e Ca/K (Lopes et al., 2008).
Esses dados reforçam a importância de manter os bananais com nutrição equilibrada, favorecendo a produtividade e qualidade dos frutos. O uso de tecnologias tem sido cada vez mais decisivo para o sucesso da agricultura, desde a escolha das variedades até o manejo pós-colheita, passando pela nutrição das culturas (Ferreira, 2015). Além disso, os mercados consumidores estão mais exigentes quanto à segurança dos alimentos, aumentando a demanda por frutas produzidas em sistemas sustentáveis, fundamentados em boas práticas agrícolas, que assegurem a rastreabilidade dos produtos (Ferreira, 2015).
As soluções oferecidas pela ILSA contribuem para uma nutrição eficiente e equilibrada dos bananais e para a sustentabilidade da produção, agregando valor aos produtos. O FERTIL é um fertilizante caracterizado pela presença de alto teor de N orgânico (12,5%) e aminoácidos provenientes de AZOGEL® (proteína hidrolisada de origem animal). O FERTIL ainda conta com a presença de carbono orgânico (40%), que potencializa a atividade microbiana e saúde do solo, com nitrogênio orgânico, que pode ser assimilado por mais tempo, permitindo um desenvolvimento vegetativo equilibrado, e menores perdas de nutrientes minerais devido à ação protetora da matéria orgânica de alta CTC, melhorando a eficiência no uso de fósforo, potássio, molibdênio, boro, ferro, zinco e manganês. Além do potencial nutricional, o FERTIL atua na saúde do solo e das plantas. Bioanálises feitas após a aplicação de FERTIL identificaram uma menor incidência do patógeno Fusarium, fungo de solo que entre outras doenças, pode causar o mal-do-Panamá nos bananais.
Referencias bibliográficas
Cordeiro, Z. J. M. et al. O Cultivo da Banana. Crus das Almas: Embrapa Mandioca e Fruticultura, p. 146-182, 2004.
Cordeiro, Z. J. M. et al. Doenças da bananeira (Musa spp.). In: Kimati, J. et al. Manual de Fitopatologia: Doenças das plantas cultivadas. São Paulo, SP: Agronômica Ceres, 2005, p. 99-117.
Cordeiro, Z. J. M. Doenças. In: ALVES, E. J., org. A cultura da banana: aspectos técnicos, socioeconômicos e agroindustriais. Brasília: EmbrapaSPI/Cruz das Almas: Embrapa-CNPMF, 1997, p. 353-408.
Embrapa. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Centro Nacional de Pesquisa de Mandioca e Fruticultura. Cruz das Almas, BA. Relatório Técnico do Centro Nacional de Pesquisa de Mandioca e Fruticultura, 1987.
Freitas, A. S. et al. Severidade da sigatoka-amarela da bananeira, em função da nutrição mineral em solução nutritiva. XX Reunião Internacional da Associação para a Cooperação em Pesquisa e Desenvolvimento Integral das Musáceas. Fortaleza, Ceará, 2013.
Ferreira, C. F. O agronegócio da banana. Brasília, DF : Embrapa, 2015. 832 p
Gurgel, L. M. S. et al. Sistema de Produção de Banana para a Zona da Mata de Pernambuco. Aracajú: Embrapa Tabuleiros Costeiros, Recife: IPA, p. 75-94, 2010.
Lopes E. B. et al. Influência de fatores químicos do solo sobre incidência do mal-do-Panamá na bananeira cv. Pacovan na Paraíba. Revista de Biologia e Ciências da Terra, v. 8, p.100-109, 2008.
Malavolta, E. Manual de nutrição mineral de plantas. São Paulo: Editora Agronômica Ceres, 2006. 638p.
Malburg J. L. et al. Levantamento do estado nutricional de bananais catarinensis. Anais, 6. Congresso Brasileiro de Fruticultura. Florianópolis SC. Sociedade Brasileira de Fruticultura, v. 1, p. 256-275, 1984.
Trindade, D. R. et al. Doenças da Bananeira no Estado do Pará Introdução. Embrapa: Belém, Pará, circular técnica n° 27, 2002.
Autores
Ing. Agr. Maestría en Ciencias. Isabela Bulegon Pilecco
Ing. Agr. Maestría en Ciencias. Thiago Stella de Freitas
Ing. Agr. Tuíra Barcellos

