Com o crescente interesse por cafés especiais nos principais mercados importadores, manter altos padrões de qualidade tornou-se essencial para que o Brasil siga competitivo e conquiste novos consumidores. Entre os fatores que determinam essa qualidade, o estado nutricional das plantas tem papel central. O potássio (K) é o segundo nutriente mais demandado pelo cafeeiro, com exigência semelhante à do nitrogênio (N) (Mesquita et al., 2016). Reconhecido como o “elemento da qualidade” na nutrição de plantas, o potássio influencia diretamente o enchimento dos frutos e a formação de grãos bem desenvolvidos, resultando em cafés de melhor aspecto e superior qualidade sensorial.
Além de estimular o desenvolvimento vegetativo, o K participa de inúmeros processos metabólicos, como a síntese de carboidratos, proteínas, óleos e gorduras, e atua como ativador de mais de 50 enzimas (Lima et al., 2003). Durante o enchimento dos frutos, esse nutriente é essencial para o transporte dos fotoassimilados sintetizados nas folhas até os grãos, regulando o gradiente osmótico e o fluxo de seiva no floema (Ross e Nogueira, 2001). Esse processo garante o fornecimento contínuo de açúcares e compostos orgânicos necessários ao acúmulo de reservas, promovendo grãos mais cheios e uniformes. Quando há deficiência de potássio, observa-se a redução do tamanho dos grãos, aumento na proporção de grãos chochos e consequente queda na qualidade da bebida (Malavolta et al., 1997; Silva et al., 2002).
Para garantir o enchimento eficiente dos grãos, é importante que o K esteja disponível em quantidade e momento adequados. A aplicação do nutriente geralmente é parcelada em três a quatro vezes, preferencialmente no período chuvoso, sendo ajustada conforme a disponibilidade hídrica. Recomenda-se iniciar as aplicações após o chumbinho, quando o fruto começa a se desenvolver, desde que haja umidade suficiente no solo.
No Brasil, o cloreto de potássio (KCl) é a fonte mais utilizada devido ao seu baixo custo. Entretanto, dependendo da dose e condições de solo, o alto teor de íon cloreto (Cl⁻) pode afetar negativamente a nutrição e o metabolismo das plantas de café, principalmente por se tratar de uma cultura perene e exigente em potássio. Nesse sentido, estudos demonstram que o uso de fontes livres de cloro, como o sulfato de potássio (K₂SO₄), proporciona grãos de melhor qualidade (Silva et al., 2002). Embora essas fontes tenham custo mais elevado, a substituição total ou parcial (mínimo de 50%) do KCl por fontes alternativas, bem como a aplicação foliar suplementar de K2SO4, têm mostrado resultados positivos na composição química e coloração dos grãos crus (Moreira, 2020).
A adubação foliar é uma estratégia complementar que fornece nutrientes de forma prontamente absorvível, corrigindo deficiências e aumentando a eficiência do enchimento dos frutos. Essa prática é ainda mais eficaz quando associada a formulações com micronutrientes e aminoácidos, que favorecem a absorção e o metabolismo das plantas (Costa, 2009). No cafeeiro, a absorção foliar de K é mais intensa nas fases de pré e pós-floração, períodos críticos para a formação e enchimento dos frutos (Valarini et al., 2005). Assim, o manejo da adubação foliar deve ser direcionado para esses estágios, garantindo o suprimento contínuo de nutrientes para o crescimento vegetativo e o desenvolvimento dos grãos.
Entre as soluções da ILSA, destaca-se o ETIXAMIN KALLY, fertilizante organomineral composto pela matriz orgânica GELAMIN associada ao sulfato de potássio. O potássio é, sem dúvida, um dos nutrientes mais impactantes para o sucesso da lavoura de café na fase de enchimento dos grãos. O produto combina N, K, S e aminoácidos, podendo ser utilizado via fertirrigação ou aplicação foliar. Assim, contribui para maior resistência a estresses, qualidade e produtividade do cafeeiro, atuando de forma eficiente no enchimento dos grãos e na melhoria da qualidade final do produto. Essa é uma estratégia eficaz para elevar a produtividade e a qualidade do café, especialmente em condições de estresse ou em sistemas que buscam maior sustentabilidade e eficiência no uso de nutrientes.
Referencias bibliográficas
Costa, R. A. Fertilizantes minerais e aminoácidos aplicados via foliar na produtividade, desenvolvimento vegetativo e nutrição do cafeeiro. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2009. 57 p.
Lima et al. Efeitos da adubação foliar no cafeeiro em sua produção e na qualidade de suas sementes, Revista Ciência e Agrotecnologia, Edição Especial, p. 1499-1505, 2003.
Malavolta, E. et al. Avaliação do estado nutricional das plantas. Piracicaba: Potafós, 1997. 319p.
Mesquita, C. M. et al. Manual do café: manejo de cafezais em produção. Belo Horizonte: EMATER-MG, 2016. 72 p. il.
Moreira, D. T. Efeito do manejo de fontes de potássio na produtividade do cafeeiro e na qualidade da bebida. Dissertação de Mestrado. Instituto Agronômico, Campinas, 2020. 59 p.
Ross M., Nogueira F. Nutritional aspects of high quality production of Arabica coffee. In: Horst W.J. et al. (eds) Plant Nutrition. Developments in Plant and Soil Sciences, vol 92. Springer, Dordrecht, 2001.
Silva, E. B. S. et al. Qualidade de grãos de café beneficiados em resposta à adubação potássica. Scientia Agricola, v.59, n.1, p.173-179, jan./mar. 2002.
Valarini, V. et al. Macronutrientes em folhas e frutos de cultivares de café arábica de porte baixo. Bragantia, v. 64, n. 4, p.661-672, 2005.
Autores
Ing. Agr. Maestría en Ciencias. Isabela Bulegon Pilecco
Ing. Agr. Maestría en Ciencias. Thiago Stella de Freitas
Ing. Agr. Tuíra Barcellos

