Altas produtividades de soja estão diretamente associadas ao suprimento adequado de água e nitrogênio ao longo do ciclo. O alto teor de proteína dos grãos faz com que a cultura apresente uma grande demanda por nitrogênio, estimada em cerca de 80 kg de N para cada 1.000 kg de grãos produzidos (Hungria et al., 2007). Assim, lavouras com produtividades elevados exigem um sistema altamente eficiente de fornecimento desse nutriente, o que, na soja, ocorre predominantemente por meio da fixação biológica do nitrogênio (FBN).
A FBN é um processo simbiótico no qual bactérias do gênero Bradyrhizobium se associam às raízes da soja, formando nódulos capazes de transformar o nitrogênio atmosférico (N₂) em formas assimiláveis pela planta. Em condições favoráveis, esse processo é capaz de suprir praticamente toda a demanda de nitrogênio da cultura, reduzindo custos com fertilizantes minerais e aumentando a sustentabilidade do sistema produtivo. No entanto, a eficiência da FBN depende fortemente das condições do solo, da disponibilidade de água e do bom desenvolvimento do sistema radicular.
Para expressar altos tetos produtivos, a soja também apresenta elevada exigência hídrica. Estima-se que produtividades próximas a 6.000 kg ha⁻¹ demandem aproximadamente 800 mm de água bem distribuídos ao longo do ciclo, valor que pode variar conforme o grupo de maturidade da cultivar (Tagliapietra et al., 2021). Nesse contexto, o enraizamento profundo assume papel estratégico, pois permite à planta acessar um maior volume de água no perfil do solo, reduzindo a intensidade e a duração do estresse hídrico e contribuindo diretamente para a manutenção da fotossíntese, da nodulação e da FBN.
Plantas com sistema radicular restrito às camadas superficiais do solo exploram regiões que perdem água rapidamente por evaporação, tornando-se mais suscetíveis a períodos de déficit hídrico (Winck et al., 2025). Em lavouras do Sul do Brasil, tem sido observado um padrão frequente de enraizamento superficial da soja, com grande parte das raízes concentradas nos primeiros 20 cm do solo (Mulazzani et al., 2024). Esse padrão limita a capacidade de absorção de água em períodos de menor precipitação e está associado a reduções expressivas de produtividade, especialmente em anos de distribuição irregular de chuvas.
É importante destacar que práticas como a restrição hídrica proposital na fase vegetativa, adotadas com o objetivo de estimular o aprofundamento das raízes, não são recomendadas (Winck et al., 2025). A deficiência de água afeta precocemente o crescimento foliar, reduzindo a área de interceptação de radiação e causando um desbalanço na relação entre raiz e parte aérea. Além disso, a FBN é um dos primeiros processos fisiológicos prejudicados pelo estresse hídrico.
A eficiência da FBN na soja pode variar amplamente, dependendo das condições ambientais e nutricionais do solo. Fatores como acidez elevada, excesso de nitrato na zona de nodulação, temperaturas inadequadas do solo e déficit ou excesso de água reduzem a sobrevivência das bactérias, a formação de nódulos e a atividade da nitrogenase (Hungria et al., 2007). Solos mal drenados, por exemplo, limitam a difusão de oxigênio até os nódulos, enquanto períodos prolongados de seca reduzem a atividade metabólica das bactérias e o fornecimento de nitrogênio à planta.
Além das condições físicas e hídricas, a nutrição adequada é essencial para o bom funcionamento da FBN. Micronutrientes como molibdênio e cobalto desempenham papel central no processo, participando tanto da formação quanto do funcionamento dos nódulos (Hungria et al., 2007). No entanto, a aplicação desses nutrientes via tratamento de sementes pode ser prejudicial quando realizada com formulações salinas ou de pH inadequado, que afetam diretamente a sobrevivência das bactérias e a eficiência da nodulação. Por esse motivo, estratégias como a aplicação foliar ou no sulco de semeadura, em estádios iniciais de desenvolvimento da cultura, têm se mostrado mais seguras e eficientes (Hungria et al., 2007).
Nesse contexto, o uso de fertilizantes formulados com tecnologias que não agridem as bactérias fixadoras de nitrogênio torna-se fundamental. O ILSAMIN CoMo, uma fonte natural de aminoácidos de rápida absorção, composto de molibdênio e cobalto que são nutrientes essenciais para as bactérias fixadoras de nitrogênio. Essa combinação favorece a nutrição da planta e o funcionamento da FBN, sem comprometer a sobrevivência das bactérias, a nodulação ou a eficiência da fixação do nitrogênio atmosférico.
Além disso, fertilizantes da ILSA formulados com AZOGEL e GELAMIN contribuem para a saúde do solo de forma integrada, auxiliando na manutenção da matéria orgânica do solo. Um dos pilares das matrizes orgânicas (AZOGEL e GELAMIN) da ILSA é sua ALTA AFINIDADE BIOLÓGICA potencializando tratamentos com microrganismos no solo como exemplo os tratamentos visando Fixação Biológica de Nitrogênio. O aumento dos teores de matéria orgânica melhora a estrutura do solo, favorece o crescimento radicular, amplia a capacidade de retenção de água e cria um ambiente mais saudável para a atividade microbiológica, incluindo as bactérias fixadoras de nitrogênio. Dessa forma, o manejo nutricional aliado à proteção da FBN e ao estímulo ao enraizamento profundo representa uma estratégia eficiente e sustentável para elevar a produtividade da soja.
Referencias bibliográficas
HUNGRIA, M. et al., A importância do processo de fixação biológica do nitrogênio para a cultura da soja: componente essencial para a competitividade do produto brasileiro. Londrina: Embrapa Soja: Embrapa Cerrados, 2007. 80p.
MULAZZANI, R. P. et al. Chemical constraints are the major limiting factor of root deepening in southern Brazil soils. Geoderma Regional, v. 38, p. e00825, 2024.
TAGLIAPIETRA, E. L. et al. Biophysical and management factors causing yield gap in soybean in the subtropics of Brazil. Agronomy Journal, 2021.
WINCK, J. E. M. et al. Ecofisiologia da soja: visando altas produtividades. 3. ed. Santa Maria: [Editora GR], 2025. 688 p.
Autores
Ing. Agr. Maestría en Ciencias. Isabela Bulegon Pilecco
Ing. Agr. Maestría en Ciencias. Thiago Stella de Freitas
Ing. Agr. Tuíra Barcellos

