Com a crescente demanda por sistemas de produção mais sustentáveis e eficientes, além do aumento na frequência de eventos climáticos extremos, cresce também o uso de produtos bioestimulantes na agricultura. Esses insumos atuam diretamente no metabolismo vegetal, promovendo melhorias no desenvolvimento das plantas e na sua capacidade de enfrentar condições adversas. Nesse contexto, destacam-se os aminoácidos, moléculas orgânicas que, além de compor a estrutura das proteínas, funcionam como sinalizadores fisiológicos e precursores de hormônios e compostos de defesa.
Formados por carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio, os aminoácidos diferem entre si pelas cadeias laterais, que conferem propriedades específicas a cada um. Nas plantas, eles desempenham papéis fundamentais no metabolismo primário e secundário, integrando a estrutura de enzimas e outras moléculas essenciais (Sadak et al., 2023). Por isso, a aplicação exógena de aminoácidos tem sido considerada uma ferramenta promissora de manejo, com potencial para aumentar a resiliência das culturas frente a estresses abióticos, como seca e fitotoxicidade, e bióticos, como infecções por fungos, bactérias e outros patógenos (Teixeira et al., 2017). Plantas bem nutridas apresentam maior capacidade de resposta a estresses bióticos e abióticos, por estarem metabolicamente mais preparadas para enfrentar essas condições adversas.
Entre os produtos usados na agricultura e que têm como base aminoácidos, destacam-se aqueles obtidos por hidrólise de proteínas, como é o caso dos produtos desenvolvidos pela ILSA. Esses produtos podem ser aplicados tanto no tratamento de sementes quanto via foliar, promovendo benefícios que vão desde a ativação de enzimas antioxidantes, responsáveis pela redução das espécies reativas de oxigênio (ERO), até o aumento da produtividade das culturas (Khan et al., 2009; Crainge, 2011, Soares, 2014). Estudos confirmam que os aminoácidos aplicados exogenamente podem ser absorvidos tanto pelas folhas quanto pelas raízes, ampliando as possibilidades de uso em diferentes sistemas de cultivo (Calvo et al., 2014; Henderson et al., 2025).
Alguns aminoácidos possuem ação complexante, promovendo absorção mais eficientes ou mais restritas, de acordo com a necessidade, de íons ou moléculas via foliar. Segundo Calvo et al. (2014), os aminoácidos desempenham um importante papel facilitando a assimilação, translocação e utilização de nutrientes pelas plantas. Aminoácidos que possuem grupos funcionais capazes de formar complexos com íons metálicos, atuam como ligantes orgânicos que aumentam a estabilidade e a mobilidade de micronutrientes na solução aplicada, favorecendo sua absorção pelas folhas ou raízes (Sadak et al., 2023). Esse efeito é particularmente relevante para micronutrientes como ferro, zinco, manganês e cobre, cuja absorção foliar é limitada na forma inorgânica, mas aumentada quando associados a aminoácidos.
O glutamato, a glutamina e o aspartato, estão diretamente envolvidos na assimilação e redistribuição do nitrogênio absorvido pelas raízes (Taiz et al., 2017). Estudos mostram que hidrolisados de proteínas estimulam o metabolismo do carbono e nitrogênio, aumentando a assimilação de nitrogênio por meio da regulação coordenada do metabolismo do C e do N (Calvo et al., 2014). Outro benefício de aplicações foliares de aminoácidos está relacionado ao potencial na redução de fitotoxicidade causada por herbicidas. De acordo com Castro e Carvalho (2014), estudos apontam que os aminoácidos contribuem para mitigar os danos provocados por produtos como o nicosulfuron, na cultura do milho, e o glifosato, no feijoeiro.
Em macieiras da cultivar ‘Gala’, foi demonstrado que o uso de aminoácidos em conjunto com fungicidas podem potencializar a ação antifúngica. Após aplicações combinadas, observou-se menor incidência de sarna (Venturia inaequalis) em relação ao uso isolado do fungicida, indicando possível efeito sinérgico na proteção fitossanitária da cultura (Castro e Carvalho, 2014). Também há relatos para culturas da família Brassicaceae, como couve-flor, brócolis, couve, nabo e mostarda, nas quais observou-se que a aplicação foliar de aminoácidos, associados a macro e micronutrientes, foi capaz de reduzir a infecção causada pela bactéria Pseudomonas syringae pv. maculicola (Igarashi et al., 2010). Provavelmente estes resultados estão associados a função da ativação de respostas antioxidantes e fortalecimento das paredes celulares das plantas
Pesquisas têm demonstrado os efeitos positivos da aplicação de aminoácidos em diferentes culturas. Em amendoim, a aplicação foliar de fenilalanina e ácido aspártico (forma protonada do aspartato) aumentou a concentração de pigmentos fotossintéticos e o teor de óleo nas sementes (Sadak et al., 2023). O uso de arginina no tratamento de sementes de girassol teve resultado positivo na produtividade da cultura (Ramadan et al., 2019). Castro e Carvalho (2014) relatam que o uso de arginina na cana-de-açúcar, na solução nutritiva, substituindo uma pequena fração do nitrogênio, apresentou forte efeito positivo no crescimento. Esses resultados são atribuídos à atuação dos aminoácidos em mecanismos bioquímicos e fisiológicos, incluindo o crescimento vegetativo das plantas, a germinação, o amadurecimento dos frutos, a sinalização e a estimulação dos sistemas de defesa contra estresses abióticos e bióticos, a osmorregulação, a inativação de espécies reativas de oxigênio e como fonte de reserva de nitrogênio (Teixeira, 2016).
Na cultura da soja, estudos conduzidos por Teixeira (2016) mostraram que a aplicação isolada de glutamato, cisteína, fenilalanina e glicina, tanto via sementes quanto por pulverização foliar, foi benéfica para as plantas. Os efeitos observados incluíram aumento na atividade de enzimas antioxidantes, maior assimilação de nitrogênio, desenvolvimento radicular e acúmulo de massa de matéria seca, resultando em maior produtividade (Figura 1).

Figura 1 – Plantas de soja, 25 dias após a semeadura, submetidas ao tratamento de sementes com aminoácidos, sendo (A) Controle, (B) Glutamato, (C) Cisteína, (D) Fenilalanina, (E) Glicina, (F) Completo. Fonte: Teixeira (2016).
Os produtos da ILSA são formulados a partir de duas matrizes orgânicas ricas em aminoácidos: o fertilizante sólido AZOGEL e o fertilizante líquido GELAMIN. Ambos preservam os aminoácidos em sua forma biologicamente ativa por meio de processos específicos. O AZOGEL é produzido por hidrólise térmica, enquanto o GELAMIN é obtido por hidrólise enzimática. O aminograma do AZOGEL (Figura 2) revela a presença de 16 aminoácidos, enquanto o do GELAMIN (Figura 3) apresenta 18 aminoácidos. Em ambas as formulações, destacam-se as concentrações elevadas de glicina e prolina, aminoácidos fundamentais na resposta ao estresse e na manutenção do equilíbrio osmótico das células vegetais. Essas características conferem benefícios importantes às culturas, especialmente sob condições adversas. A glicina, precursora da glicina betaína, é essencial para a síntese de compostos antioxidantes e para a osmorregulação das plantas (Taiz et al., 2017). Já a prolina desempenha papel crucial na adaptação ao estresse causado pela salinidade (Taiz et al., 2017).

Figura 2. Aminograma da matriz de produtos sólidos da ILSA, o AZOGEL.

Figura 3. Aminograma da matriz de produtos líquidos da ILSA, o GELAMIN.
As plantas produzem em seu metabolismo os aminoácidos, porém essa síntese consome energia (ATP), poder redutor (NADPH) e carbono. Em situações de estresse, como seca, salinidade, frio ou excesso de radiação, a planta redireciona seus recursos para a sobrevivência, podendo reduzir ou desbalancear a produção de compostos como os aminoácidos. Assim, a aplicação exógena desses compostos desponta como uma estratégia complementar de manejo ao metabolismo natural das plantas, contribuindo para o desempenho fisiológico, especialmente sob condições adversas. Com base em evidências científicas, o uso adequado de aminoácidos pode promover a resiliência, atenuando os efeitos dos estresses bióticos e abióticos, favorecendo as culturas.
Referencias bibliográficas
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HENDERSON, B. C. R.; SANDERSON, J.; FOWLES, A. A review of the foliar application of individual amino acids as biostimulants in plants. Discover Agriculture, v. 3, n. 1, 2025.
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SOARES, L. H. Manejo fisiológico com base em tratamento de sementes e aplicação de organominerais via foliar para sistemas de alto potencial produtivo de soja. 2013. 130p Dissertação (Mestrado em Fitotecnia) – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2014.
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TEIXEIRA, Walquíria Fernanda. Avaliação do uso de aminoácidos na cultura da soja. 2016. 159 f. Tese (Doutorado) – Curso de Ciências, Fitotecnia, Universidade de São Paulo – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Piracicaba, 2016.
Autores
Ing. Agr. Maestría en Ciencias. Isabela Bulegon Pilecco
Ing. Agr. Maestría en Ciencias. Thiago Stella de Freitas
Ing. Agr. Tuíra Barcellos

