Coureiros debatem alternativa ambiental
 
 
     A transformação de 100% dos resíduos de couro produzidos pela indústria coureiro-calçadista do Rio Grande do Sul em fertilizante nitrogenado foi tema de reunião-almoço na Associação das Indústrias de Curtume do Rio Grande do Sul (Aicsul), em Novo Hamburgo/RS, nesta terça-feira (12 de abril). O encontro, que reuniu empresários do segmento e imprensa, teve como palestrante o presidente da indústria de fertilizantes Ilsa Brasil, Paulo Girelli. Ele explicou que os principais objetivos da tecnologia italiana que agora chega ao Brasil são eliminar o passivo ambiental gerado pelos resíduos do couro curtido - no Rio Grande do Sul são 35 mil toneladas anuais - e produzir adubos orgânicos de qualidade para uso na agricultura.
     Constituída em 2008, após missão brasileira à Europa, a Ilsa Brasil, com sede em Portão/RS, é uma empresa com capital ítalo-brasileiro que nasce com a experiência de 50 anos da sócia italiana Ilsa, situada em Arzignano, importante distrito curtidor daquele país. Através de sua tecnologia, os resíduos de couro curtido são hidrolisados em reatores especiais, com altas temperatura e pressão, até serem transformados em uma gelatina. Em seguida, o produto passa por um processo de secagem, onde é estabilizado e peneirado, resultando em adubo. O processo não utiliza produtos químicos e atende a todas as exigências ambientais.
      A empresa já está pronta para operar e tem capacidade para recuperar 100 toneladas diárias de resíduos curtidos que deixarão de ser destinados a aterros industriais. Inicialmente, o fertilizante produzido, rico em nitrogênio de origem proteica, será comercializado somente na Europa, onde é utilizado em larga escala. Para que o resíduo cromado transformado em fertilizante orgânico seja utilizado no Brasil, será necessária uma mudança na legislação nacional. A lei atual não diferencia tecnicamente o cromo trivalente (cromo 3), utilizado em curtimentos e que não tem efeitos nocivos à saúde humana, do cromo hexavalente (cromo 6), que é altamente cancerígeno e não mais utilizado pelos curtumes. A proposta de modificação da lei já foi encaminhada para avaliação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).


Martina Wartchow Silveira/Exclusivo On Line - www.exclusivo.com.br